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Exame de próstata e um toque de atendimento!

sábado, fevereiro 6th, 2010

E tenho dito e minha vida é livro aberto: fiz meu check-up de meia idade, inclusive ele: o tão famoso toque de próstata. Após os quarenta, esse e outros toques são ítens obrigatórios de revisão e manutenção. Coração: ok, com o alerta comum a tantos do colesterol alterado. Dermatologia: quase ok. Cabelos caem e não há muito o que fazer. Para a pele, sim: cremes de vários preços e protetor solar fator 30, básico. E afinal: o exame de toque de próstata. Tá. Entrei na sala tímido e desconfiado. Porém, achei o médico bastante interessante, por causa da qualidade do atendimento.

Temos a expectativa dos médicos especialistas consulta fast-food e quem me atendeu quebrou paradigma. Da atenção restritamente especializada de consulta rápida para a atenção especialmente humana e generalizada. Atenciosamente perguntou muito e ouviu interessado sobre meus hábitos alimentares, histórico familiar, estado emocional, humor, mal-humor e outras percepções de mim mesmo, por mim mesmo. Após a audição especializada, disse-me que o toque, graciosamente retratado nas piadas, teria que ser adiado para após exame de sangue e de uma batelada de exames high tech da região abdominal: fígado, pâncreas, rins, bexiga e adjacências todas. Não chegara a minha vez. E além disso uma lição maior: surpresa e satisfação por um médico especialista preocupar-se em ouvir e ajudar-me a analisar minha condição física-mental naquele momento. Diagnóstico perfeito, completo.

Comentei com meu amigo Dr. Hamburger PhD sobre a qualidade desse atendimento e soube que é uma nova postura recomendada por algumas faculdades para a formação médica atual. Uma orientação para a busca de atendimento diferenciado que, antes de pensar em dizer: – “tome isso, engole e cala-te”, pré-escreve ouvindo, desejando compreender o ser humano por completo, globalizado, holístico, íntegro, digno e único.

Feito todos os exames, voltei ao médico. Confesso que, ainda nem um pouco ansioso pelo toque fatal. Ele analisou o exame de sangue com a taxa do psa, indicador inconteste da situação geral da próstata: deu normal. Maravilha. Tentei me despedir e sair de fininho aproveitando a deixa, mas não, enfim, chegara a hora da comprovação final. Relaxei. O toque.

Caro leitor, se você tem mais de quarenta e não tem experiência homosexual, recomendo: relaxa homem. O toque não irá influenciar sua opção sexual e nem fazer perder a graça das piadas sobre o tema, pela imaginação humorística privilegiada do brasileiro. Mas se, após o exame, lhe bater vontade de sair do armário, assuma, be happy. Sempre é tempo de encarar o verdadeiro sentido da existência. Porém, tão importante quanto é que, após esse toque especialmente diferente, você pode ter certeza de que prevenir é sempre melhor do que remediar. Viva com alegria, viva com saúde e inteligência.

TAM e um atendimento Segurança Nacional

sexta-feira, janeiro 15th, 2010

E tenho dito! Escrevo hoje sobre caso sério de atendimento ao cliente (pela TAM SP) com risco de segurança nacional. Em 11/12/2009 eu e Alzira (Teatrês) daríamos nosso curso 12 Personagens de postura de comunicação em vendas para a Mirasul, em Porto Alegre. Um grupo de trinta e cinco vendedores da empresa de todo o Brasil nos esperava para oito horas de treinamento na sexta, pela manhã. Sairíamos de São Paulo na quinta-feira às 22h00, último vôo, para pernoitar em Porto e dar o curso na manhã combinada. Noite do vôo, 21h10, tickets nas mãos, Congonhas, entrada para embarque e BARRADOS DE EMBARCAR por um funcionário da TAM …

O nome na reserva de passagem da Alzira não batia com o rg apresentado por ela. Explico: ao pedir as reservas ao cliente enviei o nome artístico e no embarque ela estava com o rg oficial: Alzira (sobrenome outro). Não teve jeito, ela não poderia embarcar sem apresentar o rg que batesse com o nome artístico, mesmo que os números fossem idênticos aos do rg da reserva. Ela tinha o rg de solteira com o nome igual ao da reserva, mas estava em casa e não havia tempo para pegar taxi, ir pra casa, achar o rg, voltar e embarcar. Ufa!

Argumentamos de todo jeito, último vôo, trabalho na manhã seguinte, o número do documento batia, ela era mesmo e nada. Da decepção do embarque para o balcão da TAM. Pedimos por Jesus, por Lula, por nossos filhinhos e nada. Alzira não poderia embarcar. Exagerei nas súplicas e veio o argumento do atendimento que me convenceu a parar de insistir: “Meu senhor, não podemos deixá-los embarcar com o rg sem bater com o nome da reserva do vôo. É uma questão de segurança nacional. Imagina o caos se essa regra de segurança não for respeitada. Qualquer um poderá viajar e causar problemas”. Argumentação perfeita. Segurança nacional, nossa vida, um louco com rg de outra pessoa, atentado, bomba, queda, horror nos céus! Aceitei, calei-me e fui pagar pela minha distração de dar o nome artístico para a reserva.

Alzira ficou, fui sozinho, chato. Compramos outra passagem para quatro da manhã do dia seguinte, de Cumbica, tanto tempo perdido, passagem por nossa conta, prejuizo assumido orgulhosamente por conta da segurança nacional. Enquanto eu voava pensando no eficiente argumento da TAM para nos separar, Alzira voltou para casa, pegou o rg de solteira com o nome artístico, dormiu umas poucas horas, gastou mais um taxi para Cumbica e no dia seguinte, estava às sete da manhã em Porto Alegre, cansada mas entusiasmada para o curso, que foi fantástico.

Hora de voltar para casa, Aeroporto Salgado Filho, Porto Alegre, portão de embarque, felizes pelo curso, Alzira orgulhosa com o rg oficial na mão, pronta para mostrar o documento cuja falta impediu que ela embarcasse em São Paulo por questões de segurança nacional. Apresentamos o ticket e … passamos incólumes pelo portão de embarque sem que nenhum funcionário nos pedissse qualquer documento, surpresos, irritados e inconformados com a segurança nacional da TAM. Cara de palhaços!

Alzira, para se acalmar, foi comprar quilos de chocolates de Gramado, excelentes. Eu procurei dois pilotos da TAM que estavam por ali, comentei e eles me orientaram a usar o contato “fale com o presidente” da TAM. O que tento fazer agora para expor minha indignação pelo estresse, prejuízo de tempo, material e moral com esse argumento falho e perigoso da segurança nacional, que, por razões óbvias, a TAM deveria se preocupar em ter uma atitude irrepreensível e única para todo o território nacional, e não apenas para São Paulo.

Salve, Salve, minha santa de devoção: Santa Paciência!